Terceira vez?

Clayton Romano

Hegel observou que a história ocorre duas vezes. Marx acrescentou: a primeira como tragédia e a segunda como farsa. Mas e se a história se repetir uma terceira vez?

Brasil, 1960. Jânio Quadros tinha uma trajetória meteórica. Tornou-se vereador em São Paulo, em 1948, graças à cassação dos comunistas do PCB. Dois anos depois, elegeu-se deputado estadual, para, em 1953, chegar à prefeitura da maior cidade do país.

Mais dois anos e lá estava Jânio no governo estadual de São Paulo, de onde saiu para conquistar o Brasil. Sempre pelo PDC, então mero satélite da UDN, Jânio Quadros saltou de suplente de vereador à presidente da república no intervalo de 12 anos.

Carismático, personalista, centralizador, ostentava como símbolo uma vassoura para “varrer a bandalheira”. Negava o establishment político, prometendo moralizá-lo. Jânio Quadros deixou a presidência em 1961, sem completar um ano no cargo.

Brasil, 1989. Fernando Collor tinha uma trajetória meteórica. Tornou-se prefeito biônico de Maceió, em 1979. Três anos depois, elegeu-se deputado federal, para, em 1987, chegar ao governo estadual de Alagoas, de onde saiu para conquistar o Brasil.

Filhote da ARENA na ditadura, Collor passou por PDS e PMDB antes de fundar o obscuro PRN. Da ARENA ao PRN, este sem qualquer expressão nacional, Fernando Collor saltou de prefeito biônico à presidente da república em uma década.

Carismático, personalista, centralizador, construiu a auto-imagem de “caçador de marajás”. Negava o establishment político, prometendo moralizá-lo. Fernando Collor deixou a presidência em 1992, sem completar dois anos no cargo.

Brasil, 2014. Marina Silva tem uma trajetória meteórica. Tornou-se vereadora em Rio Branco, em 1989. Foi eleita deputada estadual no ano seguinte, para, em 1995, assumir seu primeiro mandato no senado federal.

Reeleita senadora pelo Acre, em 2002, Marina foi ministra do meio ambiente durante o governo Lula. Rompeu com o PT, em 2009, para disputar as eleições presidenciais de 2010 pelo PV. Recebeu quase 20 milhões de votos, terminando em 3º lugar.

Saiu do PV, em 2011, para registrar um novo partido. Não conseguiu. Ingressou no PSB por conveniência, em 2013, sendo oficializada como vice de Eduardo Campos. Mas a vida tratou de colocá-la na cabeça de chapa de um partido médio, habitado às pressas.

Carismática, personalista, centralizadora, Marina apresenta-se como promotora de uma “nova política”. Nega o establishment político, prometendo moralizá-lo. Marina Silva desponta como favorita nas eleições de outubro.

Hegel e Marx continuarão certos? Ou a história se repetirá uma terceira vez? A conferir.

Clayton Romano é docente do Departamento de História da UFTM e secretário político do PCB Uberaba.


Texto publicado na edição de 13/09/2014 do Jornal de Uberaba.

Nenhum comentário:

Postar um comentário