"Para que serve a história?"

Clayton Romano

Pensar a vitalidade da história também implica em analisar as possibilidades e os desafios do ofício do historiador neste início de século.

Nesse sentido seria interessante, primeiro, comentar alguns aspectos sobre a função social do historiador no tempo presente, e depois, destacar as bases sob as quais deve se assentar a formação acadêmica do graduando em História.

Lembrando uma passagem de Marc Bloch, é preciso reconhecer as dificuldades encontradas atualmente pelos historiadores para responder uma simples pergunta de criança: “para que serve a história?”.

Pragmáticas, imediatas, vis, as relações sociais de hoje questionam a “utilidade” da história, ou pior, invalidam mesmo o estudo e o ensino de história, conferindo aos historiadores caracterizações que oscilam do exotismo ao desprezo.

Disso resulta a arriscada escolha do historiador, isto é, validar seu ofício no presente, assumindo a história como disciplina das humanidades imprescindível à formação de uma sociedade como a brasileira, cujo processo permanente de transformação mostra-se mais que evidente.

Tarefa nada fácil, afinal, como sabemos, no mesmo instante em que a velocidade dos meios de comunicação nos impressiona e nos aproxima, tornando-nos uma “aldeia global”, a afirmação de identidades e regionalismos mostra-se no mais das vezes como o ponto de partida da maioria dos conflitos étnicos e culturais verificados atualmente.

Desse modo, cabe ao historiador compreender a importância exercida pela informação e sua circulação nesses tempos de globalização, conferindo uma visão em perspectiva dos fatos para uma melhor compreensão processos em andamento.

Portanto, os historiadores devem receber das instituições de ensino superior uma formação tanto específica quanto multidisciplinar. Ou seja, além da docência no ensino fundamental e médio, é preciso fazer com que a formação acadêmica do historiador pressuponha, sobretudo, a formação de um profissional crítico, capaz de conjugar reflexão e pesquisa.

Este é o desafio.

Clayton Romano é docente do Departamento de História da UFTM e secretário político do PCB Uberaba.

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